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IFA v6.1 e GRASP v2.1: o que muda no GLOBALG.A.P. publicado em setembro de 2026

A GLOBALG.A.P. publicou o IFA v6.1 Smart e o GRASP v2.1 em 1º de setembro de 2026. Veja ponto a ponto o que muda para o produtor e para o grupo de produtores: definição de grupo, amostragem de auditoria, água, metais pesados no teste de LMR, lista de produtos e as correções do GRASP.

Por Samuel Canavarolli8 min de leitura

Capa do artigo da DocAgro sobre as atualizações do GLOBALG.A.P. IFA v6.1 Smart e GRASP v2.1

Em 1º de setembro de 2026 a GLOBALG.A.P. publicou o IFA v6.1 Smart e o GRASP v2.1. Antes que alguém chame a equipe para reescrever o sistema inteiro, duas informações que resolvem 90% da ansiedade.

Primeira: é uma atualização de versão menor. A maior parte dos requisitos continua exatamente igual à v6.

Segunda: a comunicação oficial diz, com todas as letras, que as datas de início de validade e de substituição da versão anterior ainda serão informadas. Ou seja: a versão existe, os documentos estão publicados, mas ninguém precisa auditar na v6.1 amanhã. Quem afirmar o contrário está adiantando informação que a norma ainda não deu.

Dito isso, vale saber o que mudou, porque quando a data sair quem já leu chega na frente.

Um ponto que confunde: v6.1 Smart não é v6.1 GFS

O que foi publicado agora é a edição Smart, para os escopos de plantas e aquicultura.

A edição GFS, reconhecida pela GFSI, não foi liberada. A GLOBALG.A.P. submeteu o IFA v6.1 GFS ao processo de re-reconhecimento da GFSI e ele só sai depois que o reconhecimento for obtido. Até lá, o IFA v6 GFS continua válido, e quando a nova versão sair haverá período de transição.

Se o seu comprador exige a edição reconhecida pela GFSI, nada muda para você por enquanto. Se você certifica na Smart, é a v6.1 que passará a valer, na data que ainda será anunciada.

As mudanças que valem para todos os escopos

As alterações mais importantes estão nas general regulations, as regras gerais do sistema, válidas para qualquer cultura.

As regras gerais foram divididas em dois conjuntos. Um específico para as normas GLOBALG.A.P. reconhecidas pela GFSI e outro para as demais. A seção separada de emendas GFS foi eliminada. Confirme com a sua certificadora qual conjunto se aplica ao seu certificado.

A definição de grupo de produtores mudou: passa a ser "pelo menos 3 membros". Isso importa para cooperativas e associações pequenas e para quem estruturou a certificação como grupo com poucos integrantes. Vale conferir se o seu arranjo continua se enquadrando.

"Auditoria de supervisão" virou "auditoria de monitoria". É mudança de nome, não de conteúdo, mas é o tipo de detalhe que gera confusão em procedimento interno e em contrato com certificadora.

O ciclo de três anos para organização do conteúdo das auditorias foi eliminado. Aquele ciclo introduzido na v6 saiu. Quem montou o planejamento interno em cima dele precisa refazer o cronograma junto com o organismo de certificação.

Nova regra de amostragem na recertificação. Quando não houve não conformidade na auditoria de monitoria anterior, a amostra passa a ser de no mínimo 80% da raiz quadrada do número de sites. Traduzindo com número: um grupo com 100 sites tem raiz quadrada 10, e 80% disso são 8 sites na amostra. Grupo organizado, sem pendência no ciclo anterior, audita menos gente. É um incentivo direto a manter o sistema de qualidade e a rastreabilidade funcionando o ano todo, e não só na semana da auditoria.

O catálogo de sanções passa a valer para todas as normas e add-ons. Antes, a sanção por atraso no upload do checklist na plataforma de TI se referia ao GRASP. Agora ela alcança todos. Prazo de upload virou assunto de todo mundo.

Escopo de plantas: água e resíduos

Para quem produz fruta, o caso da maioria dos clientes da DocAgro, estes são os pontos a revisar.

Água. A redação foi melhorada nos pontos de controle sobre acreditação de laboratório, água para lavagem das mãos e avaliação de risco da água de pré-colheita, com referência explícita à árvore de decisão obrigatória. Se a sua fazenda usa água de rio, poço raso ou reservatório aberto, é aqui que você começa a revisão.

Metais pesados entram no teste de LMR. Foi acrescentada referência a metais pesados nos testes de limite máximo de resíduos (LMR, ou MRL na sigla em inglês usada pela norma). Quem exporta para a Europa já convive com isso na prática comercial. Agora está referenciado no documento.

Descarte de efluentes. Pontos sobre destinação de água residual foram esclarecidos.

Unidades de manuseio de produto (PHU). As regras do escopo de plantas foram ajustadas para deixar claro quais pontos de controle devem ser auditados em PHUs que já possuem certificado BIII reconhecido pela GFSI. Isso evita auditar duas vezes o mesmo requisito.

Além disso, todo o conteúdo que já vinha sendo ajustado por technical news ao longo da vigência da v6 foi incorporado ao documento. Na prática é isso que faz a v6.1 valer a leitura: ela consolida num só lugar o que estava espalhado em comunicados.

A lista de produtos também mudou

Fácil de ignorar e caro de descobrir tarde:

  • Endívia e escarola subiram para categoria de alto risco.
  • "Coentro" passou a se chamar "coentro/cilantro" na lista.
  • O escopo de castanhas foi estendido para incluir a secagem, inclusive a secagem do alho. O descasque, a retirada da casca dura, continua fora do IFA e cai no escopo de pré-processamento da norma PHA.
  • Cânhamo (erva) saiu da lista do IFA FV.

Se você produz algum desses, confirme a classificação do seu produto antes da próxima auditoria.

Aquicultura: o detalhe que muda a conta

No escopo de aquicultura, a v6.1 não tem mais Minor Musts. Para obter a certificação, todos os Major Musts e todas as Recommendations, ou seja, todos os pontos de controle, precisam estar marcados como conformes. A seção de bem-estar dos trabalhadores também teve o nível corrigido, coerente com o fato de o GRASP ser obrigatório nesse escopo.

GRASP v2.1: correção, não reforma

Boa notícia para o lado social: o GRASP v2.1 é alinhamento com as regras gerais v6.1, não uma nova versão estrutural. O que entrou:

  • Alinhamento das regras de amostragem de membros e sites com as general regulations v6.1
  • Correção do critério G3, para referir-se aos subcontratados e ao momento da autoavaliação
  • Correções no critério do P&C 14.1
  • Remoção da referência a agricultura familiar dos P&Cs 11.1, 11.2, 11.3 e 12.1
  • Reformulações de texto e correções já comunicadas em technical news anteriores

A própria GLOBALG.A.P. informa que as interpretações nacionais (NIGs) da v2.0 não precisam ser atualizadas, porque as mudanças são apenas de redação nos pontos de controle.

Ou seja: representante dos trabalhadores, canal de reclamações, documentação trabalhista, controle de jornada e comprovação de idade mínima continuam sendo exatamente o que a avaliação cobra, do jeito que explicamos no artigo sobre o que é o GRASP. Quem está adequado à v2.0 não tem retrabalho estrutural pela frente. Se ainda há confusão sobre qual protocolo cobre o quê, vale rever a diferença entre GLOBALG.A.P., Rainforest Alliance e GRASP.

Cadeia de custódia: país de destino saiu do certificado

Para quem tem packing house ou trading com certificado de Cadeia de Custódia (CoC): os países de destino não aparecem mais no certificado nem na plataforma de TI.

O motivo é sensato. O auditor de CoC não verifica o cumprimento da legislação de cada país comprador. Ele verifica se a empresa tem procedimento eficaz para identificar e cumprir essas exigências. Listar países no certificado dava a impressão errada de que aquilo tinha sido auditado. Com o procedimento funcionando, a empresa pode vender para qualquer destino, sem precisar reemitir certificado a cada mercado novo.

O que fazer agora, na ordem certa

1. Não corra. As datas de validade e de substituição ainda serão comunicadas. Planeje, não improvise.

2. Baixe os documentos normativos no document center. O acesso é público e gratuito: globalgap.org/document-center. Notícia de mercado avisa que algo mudou, mas não define requisito. Número de ponto de controle e nível de exigência só saem do documento oficial e do registro de atualização de versão de cada documento.

3. Ligue para a sua certificadora. Pergunte a partir de qual auditoria a sua unidade será avaliada na v6.1 e qual conjunto de general regulations se aplica ao seu certificado.

4. Revise a água primeiro. Avaliação de risco de pré-colheita, fontes, acreditação do laboratório e a árvore de decisão obrigatória.

5. Se você certifica em grupo, refaça a conta. Definição de grupo, cronograma sem o ciclo de três anos e a nova amostragem de recertificação.

6. Não reescreva o sistema inteiro. Versão menor pede revisão cirúrgica. Reescrever tudo custa caro, gera erro novo e não melhora o resultado da auditoria. Vale lembrar do que realmente pesa em quanto custa certificar sua produção.

Como a DocAgro conduz a transição

Troca de versão é o momento em que fazenda organizada se separa de fazenda que corre atrás. Quem já tem o GLOBALG.A.P. rodando com método trata a v6.1 como ajuste pontual na documentação. Quem deixou o sistema parado desde a última auditoria vai descobrir o tamanho do problema na véspera.

A DocAgro acompanha o produtor mês a mês exatamente por isso, com preço único para todos os protocolos e mais de 50 fazendas certificadas, do produtor que está começando ao exportador de manga e abacate Hass que não pode perder janela de embarque.

Se você tem auditoria marcada para os próximos meses e quer saber quais itens da sua documentação a v6.1 alcança, fale com a gente: samuel@docagro.com.br · (16) 99739-4156.

Fontes

Os pontos citados neste artigo foram conferidos no documento normativo, seguimos o documento.

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